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Rota dos Judeus
Descrição:
O Rei D. Dinis publicou a primeira lei de organização administrativa do país, que o dividiu em 7 comarcas e 7 rabinatos, sendo que na região de Trás-os-Montes a capital era Torre de Moncorvo.
A Rota dos Judeus tem início na Loja Interativa de Turismo e durante o percurso dá a conhecer uma fonte inesgotável e ainda pouco estudada de um dos mais vastos patrimónios materiais e imateriais do Judaísmo.
Pontos de Interesse:
A Igreja da Misericórdia - Vasco Pires do castelo, cristão-novo preso pela inquisição de Lisboa “foi o recebedor do dinheiro que se dava de esmola quando se fez a casa da misericórdia”, por meados do século XVI, conforme contou aos inquisidores. E o Dr. André Nunes, advogado, igualmente prisioneiro da inquisição, terá sido um dos primeiros provedores daquela santa casa. E seria também o líder do movimento de apoio ao prior do Crato para Rei de Portugal, na área da comarca de Torre de Moncorvo.
A Casa da Sinagoga - Até 1496 os judeus viviam em Torre de Moncorvo separados dos cristãos, num arruamento próprio a que chamavam judiaria e que em Torre de Moncorvo se situava nas traseiras da igreja da Misericórdia. E por esse espaço pagavam uma renda que os reis de Portugal concessionaram aos Senhores de Sampaio. Depois que a religião judaica foi proibida, as judiarias extintas e as sinagogas encerradas, aquele espaço tomou o nome de Rua Nova. Nessa rua ainda hoje existe uma casa daqueles tempos que a tradição popular sempre identificou como sendo a sinagoga dos judeus.
A Rua dos Sapateiros - Pelos anos de 600, a Rua dos Sapateiros era praticamente toda povoada por gente da nação. E Manuel Rodrigues Isidro teria a maior e mais opulenta casa da rua, recebida em dote de casamento, avaliada em 200 mil réis. Seria aquela mesma casa que dois séculos e meio depois, foi adquirida por D. Antónia Adelaide Ferreira, “o melhor solar de Moncorvo”, destruída por um incêndio em 1904 (?)
A Casa da Pelicana - É assim conhecida esta casa sita na rua do Prior do Crato, porque nela terá nascido Violante Gomes, a Pelicana, de alcunha, a qual foi mãe de D. António, o malogrado pretendente ao trono de Portugal. A alcunha de Pelicana tê-la-á ganho pelo facto de usar um lenço na cabeça com a pintura daquela ave mítica para judeus e marranos.
A Praça Francisco Meireles - Espaço comercial por excelência, a praça do município apresentava-se em Torre de Moncorvo, como o espaço mais desejado por judeus e marranos para a realização de feira. O caso terá mesmo originado uma luta política entre o poder municipal e os mercadores judeus liderados por Juça Marcos, rendeiro do almoxarifado de Torre de Moncorvo, reivindicando estes que a feira se fizesse na praça e os vereadores dentro das muralhas da vila. Além de que, a generalidade das lojas comerciais em redor da praça pertenciam a mercadores da nação hebreia. E sabemos também onde eram as casas da doceira e do ferrador, por 1640, ambos daquela gente, em lugar estratégico da praça.
A Casa dos Navarros - Ao findar do primeiro quartel do século XX, foi lançada, a partir do Porto, pelo capitão Barros Basto, a chamada Obra do Resgate, com o objetivo de promover o regresso dos marranos ao judaísmo. Tal movimento teve particular desenvolvimento na região de Trás-os-Montes e também na vila de Torre de Moncorvo. E seria no rés-do-chão da casa da família Navarro, ao Rossio, que a comunidade judaica se reunia em sinagoga, razão por que também lhe chamam a sinagoga nova.
Cobrideiras de Amêndoa - Da culinária judaica e marrana é farta a herança e variada, nomeadamente ao nível das iguarias. E muito em particular, a doçaria. E nenhuma é mais típica e genuína do que as celebradas amêndoas cobertas de Torre de Moncorvo.
O Tríptico da Santa Parentela - Manuel Rodrigues Isidro, um destacado mercador Portuense, era também um dos grandes importadores nacionais de arte da Flandres. Quando foi preso, tinha em armazém 18 ou 24 (ele não sabia ao certo) painéis de madeira importados de Bruxelas. Terá sido por seu intermédio que o famoso tríptico da santa parentela veio para a igreja matriz de Torre de Moncorvo? Por estas e outras muitas razões, pensamos que o dinheiro dos marranos foi de fundamental importância para a construção do grandioso templo e aquisição do seu mobiliário e por ele deve, naturalmente, passar a Rota dos Judeus.
Casa da Inquisição - Chamam-lhe a casa da inquisição por nela ficarem instalados os inquisidores e os comissários do santo ofício quando se deslocavam a Torre de Moncorvo em visitação, a inquirir testemunhas, fazer devassas e outras diligências. É também conhecida por Casa dos Jesuítas pois que na fachada principal ostenta o emblema desta ordem religiosa, esculpido em pedra de granito.
Características
Localização: Torre de Moncorvo
Extensão: 900m
Duração média a pé: 01h00
Dificuldade: Baixa
Âmbito: Cultural
Época Aconselhada: Todo o ano
Documentos: